quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Ética: os deveres humanos

Texto 1 – Os deveres humanos
Para superar a crise e para que a esperança não seja mera ilusão, precisamos todos de ser fiéis às nossas responsabilidades e cumprir os nossos deveres.
Já na discussão do Parlamento revolucionário de Paris sobre os direitos humanos, em 1789, se tinha visto que "direitos e deveres têm de estar vinculados", pois "a tendência para fixar-se nos direitos e esquecer os deveres" tem "consequências devastadoras".
Foi assim que, em 1997 e após debates durante dez anos, o Interaction Council (Conselho Interacção) de antigos chefes de Estado e de Governo, /.../, propôs a Declaração Universal dos Deveres Humanos. /.../
O Preâmbulo sublinha que: o reconhecimento da dignidade e dos direitos iguais e inalienáveis de todos implica obrigações e deveres; a insistência exclusiva nos direitos pode acarretar conflitos, divisões e litígios intermináveis, e o desrespeito pelos deveres humanos pode levar à ilegalidade e ao caos; os problemas globais exigem soluções globais, que só podem ser alcançadas mediante ideias, valores e normas respeitados por todas as culturas e sociedades; todos têm o dever de promover uma ordem social melhor, tanto no seu país como globalmente, mas este objectivo não pode ser alcançado apenas com leis, prescrições e convenções. Nestes termos, a Assembleia Geral proclama esta Declaração, a que está subjacente "a plena aceitação da dignidade de todas as pessoas, a sua liberdade e igualdade inalienáveis, e a solidariedade de todos", seguindo-se os seus 19 artigos, de que se apresenta uma síntese.
1. Princípios fundamentais para a humanidade. Cada um/a e todos têm o dever de tratar todas as pessoas de modo humano, lutar pela dignidade e autoestima de todos os outros, promover o bem e evitar o mal em todas as ocasiões, assumir os deveres para com cada um/a e todos, para com as famílias e comunidades, raças, nações e religiões, num espírito de solidariedade: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.
2. Não violência e respeito pela vida. Todos têm o dever de respeitar a vida. Todo o cidadão e toda a autoridade pública têm o dever de agir de forma pacífica e não violenta. Todas as pessoas têm o dever de proteger o ar, a água e o solo da terra para bem dos habitantes atuais e das gerações futuras.
3. Justiça e solidariedade. Todos têm o dever de comportar-se com integridade, honestidade e equidade. Dispondo dos meios necessários, todos têm o dever de fazer esforços sérios para vencer a pobreza, a subnutrição, a ignorância e a desigualdade, e prestar apoio aos necessitados, aos desfavorecidos, aos deficientes e às vítimas de discriminação. Todos os bens e riquezas devem ser usados de modo responsável, de acordo com a justiça e para o progresso da raça humana.
4. Verdade e tolerância. Todos têm o dever de falar e agir com verdade. Os códigos profissionais e outros códigos de ética devem refletir a prioridade de padrões gerais como a verdade e a justiça. A liberdade dos media acarreta o dever especial de uma informação precisa e verdadeira. Os representantes das religiões têm o dever especial de evitar manifestações de preconceito e atos de discriminação contra as pessoas de outras crenças.
5. Respeito mútuo e companheirismo. Todos os homens e todas as mulheres têm o dever de demonstrar respeito uns para com os outros e compreensão no seu relacionamento. Em todas as suas variedades culturais e religiosas, o casamento requer amor, lealdade e perdão e deve procurar garantir segurança e apoio mútuo. O planeamento familiar é um dever de todos os casais. O relacionamento entre os pais e os filhos deve refletir o amor mútuo, o respeito, a consideração e o cuidado.
|Anselmo Borges, www.dn.pt - 12/02/2011

Texto 2 - A Acrasia: Como podem os seres humanos escolher o mal em vez do bem?

Primeiro comecemos por definir ‘acrasia’ que é a transliteração da palavra grega que define aquele que age de forma incontrolada ou contra aquilo que considera ser o mais adequado. Foi Sócrates que “criou” o problema porque defendia que não é possível que alguém saiba o que deve fazer e decida fazer o contrário. Daí a origem da frase que lhe é atribuída: “só pratica o mal quem desconhece o bem”. Para Sócrates só a ignorância poderia levar alguém a agir de modo contrário ao correto, só o facto de ignorar que aquilo que poderia parecer vantajoso afinal não o era poderia fazer alguém agir de modo contrário ao que a razão dita. Por exemplo, alguém rouba um telemóvel topo de gama porque sempre quis ter um e não tem dinheiro para o comprar. Será que essa pessoa não sabe que está a errar ao roubar o telemóvel? Claro que sim, Sócrates não diz o oposto. O que Sócrates está a dizer é que para a pessoa que roubou o telemóvel a vantagem de ter aquilo que queria (o telemóvel topo de gama) sobrepôs-se de tal forma ao conhecimento de que roubar é errado que o fez ignorante dessa verdade. Isto é, para aquele que rouba a vantagem que isso lhe traz faz com que isso se sobreponha ao facto de ele saber que roubar é errado criando assim uma ilusão de que a ação não é errada. O ladrão sabe que roubar é errado, mas quando ele rouba vê a sua ação como a mais vantajosa para ele naquele determinado momento, não vendo que de facto não o é. Ele (o que age acraticamente) é tomado por uma ilusão que o faz ver como correto aquilo que não é. Sócrates defende assim que não há ação acrática, mas uma mera ilusão que engana o agente e o faz ver como bem o que afinal é um mal.
Mas Aristóteles defende que não é exatamente assim. Diz-nos Aristóteles que é necessário que os seres humanos, para se tornarem excelentes no seu carácter, sejam habituados desde a mais tenra idade a escolher certo tipo de ações em detrimento de outras (sejam habituadas a agir segundo os princípios éticos) e que quando forem suficientemente maduros consigam adquirir sabedoria prática. Isto é, que se aprenda o que se deve fazer e que depois se seja capaz de o pôr em prática (de saber quando agir de certo modo tendo em conta a situação em que nos encontramos). Para se agir bem ou mal é necessário que se faça uso tanto do pensamento teórico como da disposição ética. Vamos evoluindo enquanto seres humanos e vamos adquirindo essa forma de agir como hábito e podemos assim tornar-nos excelentes quando nos tornamos adultos, pois nessa altura para além do hábito de se agir de determinada forma já teremos, também, maturidade para fazer um uso mais capaz da nossa razão prática./.../
É este hábito que faz com que o homem excelente se torne imune às pressões para agir sem pensar nas consequências e que faz com que os outros que assim não foram criados lhes cedam ou pelo menos tenham tentação a fazê-lo..
Carla Veiga,
https://pt-pt.facebook.com/ColoquioDoJovemFilosofo/posts/647533128624027 (Acedido em 14/10/2014).



Texto 3 - A Consciência Moral
A consciência moral é uma competência avaliadora dos atos pessoais e dos alheios, a capacidade de discriminar entre o que é o bem e o que é o mal.
Qual a NATUREZA desta capacidade cuja manifestação no ser humano o eleva à dignidade de um ser moral?

         - A consciência moral tem uma base racional. Todos os atos humanos são julgados e avaliados pela razão, em função de valores livre e racionalmente escolhidos. Não é, pois, “às cegas” que concebemos e realizamos a ação. É com a intervenção do pensamento que tomamos consciência dos problemas, que os compreendemos e que equaciona-mos soluções que nos parecem possíveis. A racionalidade permite-nos analisar criticamente aquilo com que nos deparamos, avaliar as ações pessoais e as dos outros, confrontando o que queremos fazer com aquilo que julgamos que devemos fazer.
          - A consciência moral tem um elemento afectivo. As relações interpessoais manifestam na consciência uma componente emocional tão forte que é capaz de dinamizar a ação humana do mesmo modo que a razão. Por vezes, junta-se à razão, colaborando e reforçando o seu papel, ou, então, opondo-se-lhe e entrando em conflito com ela. Assim, quer os sentimentos positivos de amor, amizade, simpatia e fraternidade quer os seus contrários manifestam uma “lógica” própria que interfere de modo significativo na ação.
          - A consciência moral tem uma componente social. É interagindo com os outros e através do processo de educação que a consciência moral se vai formando. O seu desenvolvimento passa pela interiorização de um “dever-ser” que lhe vai sendo apresentado pelos diferentes agentes (família, escola, media, grupo de pares, etc.) no decorrer do processo de socialização.

A expressão “voz da consciência” torna-se significativa para se compreenderem as principais FUNÇÕES / PAPÉIS da consciência moral. Ela é, antes de mais, uma voz que chama, uma voz que julga, uma voz que coage e uma voz que sanciona. Neste sentido, a consciência moral desempenha as seguintes funções:

     1. Apelativa, a consciência moral chama-nos para indicar que há valores, normas e deveres a que não podemos renunciar, isto é, orienta as nossas ações;
     2. Imperativa, obriga-nos a agir de acordo com a hierarquia de valores que assumimos como nossos;
     3. Judicativa, julga-nos de acordo com o que fazemos, tendo em conta os ideais/valores que selecionamos para orientar a nossa vida;
    4. Punitiva, sanciona-nos levando-nos a viver de “consciência pesada”, ou seja, a natureza dos atos praticados determina o aparecimento de sentimentos incomodativos de culpa, arrependimento, vergonha, remorso, etc.
http://filosofianoliceu.blogspot.pt/2010/02/consciencia-moral_26.html


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Ficha de recuperação: a diversidade cultural

Pode consultar os seguintes links, para responder à questão 2:

http://filosofarliberta.blogspot.pt/2015/02/o-homem-como-produto-e-produtor-da.html

Texto 1
“Na língua do nosso lugar não há palavra exata para dizer pescar. Diz-se ‘matar o peixe’. Não há palavra própria para dizer barco. E oceano se diz assim: ‘o lugar grande’. Somos gente da terra, o mar é recente.”
(Mia Couto)

Texto 2
“Diz-se que numa das línguas faladas pelos indígenas da América do Sul, talvez na Amazónia, existem mais de vinte expressões, umas vinte e sete, creio recordar, para designar a cor verde.
Comparando com a pobreza do nosso vocabulário quanto a esta matéria, parecera que devia ser fácil para eles descrever as florestas em que vivem, no meio de todos aqueles verdes minuciosos e diferenciados, apenas separados por subtis e quase inapreensíveis matizes.”
(José Saramago, A viagem do elefante, 2008)

Texto 3
“Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor como na de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto.”
(Vergílio Ferreira)

1  1. Procure o que há de comum aos 3 textos e invente uma história baseada nessa ideia.
(Se não tiver espaço nesta folha, pode continuar a sua história no verso desta folha).

2. Porque é que se diz que o Homem é produto e produtor da cultura? Responda tendo em conta o que aprendeu sobre a socialização. 













Ficha de Recuperação: o multiculturalismo

Leia a Ficha “Valores e cultura: a diversidade e o diálogo de culturas”, depois responda às questões.
Pode consultar, também, os seguintes links :


1    1. Concorda com o etnocentrismo? Porquê?
      2. Concorda com o relativismo cultural? Porquê?
n    3.Concorda com o  interculturalismo (diálogo entre culturas)? Porquê?
   4. Elabore uma reflexão crítica sobre o problema dos refugiados, na qual responda à seguinte questão: como é que o problema dos refugiados deve ser resolvido, de acordo com o interculturalismo? (min. 150 palavras).










domingo, 10 de janeiro de 2016

A Cultura



Considerações iniciais:
Certamente, a mais antiga e mais recente obra do homem é a cultura. Desde que existe como espécie até ao estádio atual da sua evolução, ele jamais deixou de produzir [cultura]. O uso das cavernas para abrigar-se das intempéries climáticas, os desenhos e pinturas feitos nas paredes desses abrigos, a fabricação de ferramentas primitivas, a descoberta de um pedaço de madeira como arma, o cultivo do solo para alimentar-se, a produção industrial automatizada, a construção de grandes edifícios, de antigas pirâmides, a realização de uma grande obra literária, a nave que vai ao espaço, o coração, o rim, o fígado e a córnea transplantados, a criação da democracia, o telefone, a televisão e o livro são algumas realizações do homem. Tudo isso é cultura. A culinária e a religião são, também, produtos da cultura humana.
Só os sentimentos não são uma criação do homem. São algo inato nele. Mesmo assim, há diversas formas de se manifestar um sentimento. A vida e a morte são celebradas de formas diferentes de uma civilização para outra. 
A cultura, enfim, é indefinível. Mas é a única obra perene do homem. Sem essa grande obra, o que seríamos? Não é possível imaginarmos o nosso destino. Por isso, viva a bússola, viva a escrita e viva o papel. Eles orientaram o homem para o caminho certo: o caminho da comunicação. Nesse caso, viva o gesto também. Enfim, que viva o homem, para continuar a criar a sua obra eterna: a cultura.

Conceito de cultura:
O termo cultura possui hoje diversos significados. Para se ter ideia da sua abrangência, estudiosos de diferentes áreas do conhecimento como a Antropologia, a Sociologia e a Psicologia, por exemplo, já dedicaram parte do seu trabalho ao estudo específico do termo sem, no entanto, chegarem a um consenso. Originalmente, esta expressão vem do latim - colere – e significa cultivar. Com os romanos, na Antiguidade, a palavra cultura foi usada pela primeira vez no sentido de destacar a educação aprimorada de uma pessoa, o seu interesse pelas artes, pela ciência,  pela filosofia, enfim, por tudo aquilo que expressa o desenvolvimento mais completo da pessoa humana. Sendo assim a abrangência do termo tornou-se, com o tempo, cada vez maior, sendo aplicado nas mais diversas situações, ou seja, desde o plantio de um produto agrícola, do cultivo da pesca, criação de animais etc., até o trabalho científico realizado por pesquisadores das Universidades. A todas essas atividades, portanto, podemos aplicar o termo cultura.
Apenas para ilustrar, no Novo Dicionário de Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, aparecem nada menos que oito conceitos diferentes de cultura. De todos, vale a pena destacar o terceiro, que parece ser o mais abrangente e o mais completo – cultura é:
“O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade; civilização: a cultura ocidental.”
Assim, e conforme o conceito explanado acima – o que podemos entender por cultura? Cultura, quando aplicada ao nosso estilo de vida, ao convívio social, nada tem a ver com a leitura de um livro ou aprender a tocar um instrumento, por exemplo. Na realidade, o trabalho do antropólogo, estudioso da cultura humana, começa pela investigação de culturas, ou seja, pelo modo de vida, padrões de comportamento, sistema de crenças, que são característicos de cada sociedade. Por outras palavras, pode-se dizer que nenhuma sociedade, nenhum povo, seja ele atrasado ou desenvolvido, primitivo ou civilizado, jamais agirá de forma idêntica aos demais. Poderá haver, isso sim, algumas semelhanças. O monoteísmo, por exemplo, torna semelhantes às sociedades os povos que acreditam num só deus. Mas há muitas diferenças que persistem. A forma de cultuar esse deus, o seu significado, o que ele representa, enfim, todo o sistema de crenças é diferente de um povo para outro.
Em Portugal, as mesmas formas de conduta e os padrões culturais mudam nitidamente de uma região para outra, embora formalmente haja unidade cultural determinada principalmente pela unicidade do idioma português e da religião católica. 
O facto significativo, no entanto, é sabermos que nunca encontraremos duas comunidades com culturas iguais. É preciso notar que a sociedade é formada por um contingente organizado de pessoas, regidas pelo mesmo conjunto de normas e leis, que de alguma forma aprenderam a viver e a trabalhar juntas para a própria manutenção dessa sociedade. Uma cultura, por outro lado, é também um grupo organizado de padrões culturais, normas, crenças, leis naturais, convenções, entre outras coisas, em constante processo de transformação. 
Até porque a própria dinâmica da cultura, o seu processo de transformação, permite, ao longo do curso da história, a aquisição de novos elementos e o abandono (quase sempre por desuso) de outros. Esse fenómeno é universal e tem influências nos costumes de qualquer sociedade. Com o advento dos meios de comunicação de massas, vamos notar que esse processo, em parte, tende a homogeneizar-se.
http://www.cafecomsociologia.com/2011/02/cultura-e-diversidade-cultural.html

"O Cidadão Norte-Americano - texto sobre a cultura e a globalização



O cidadão norte-americano

“O cidadão norte-americano acorda numa cama construída segundo um padrão originário do Médio Oriente, mas modificado na Europa do Norte, antes de ser transmitido à América. Na cama  cobre-se com lençóis feitos de algodão, cuja planta se tornou cultivável na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro  cultivados e domesticados pela primeira vez no Médio Oriente; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Médio Oriente. Ao levantar-se da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra na casa de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções europeias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é um vestuário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquista que parece provir dos sumérios ou do antigo Egito.
Voltando ao quarto, o cidadão apanha as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças do seu vestuário têm a forma das vestes de pele originais dos nómadas das estepes asiáticas; os seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xailes usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu ‘breakfast’, ele olha para a rua através da janela feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver a chover, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e pega um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. O seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.
De caminho para o café da esquina para tomar o pequeno almoço, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da antiga Líbia. No café, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo foi inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu pequeno almoço, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com leite e açúcar. A domesticação do gado bovino e a ideia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Médio Oriente, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm os waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta agrícola na Ásia Menor. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.
Acabando de comer, o nosso amigo recosta-se para fumar, hábito difundido pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for um grande fumador, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha.”
Ralph Linton, O homem: Uma introdução à antropologia. 3ed. , São Paulo, Li vrar ia Mar t ins Editora, 1959. Citado em LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 16ed. , Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor , 2003, p.106-108

Trabalho de grupo sobre a Arte

O que é a arte by paulofeitais on Scribd                            Teorias estéticas from Paulo Gomes Trabalho de grupo:...