quarta-feira, 6 de janeiro de 2021








As emoções:



Sentimentos:




Psicologia das cores:





Projecto 'Somos em Rede' (2GI)







Esta sequência pedagógica está a ser adaptada para servir de base à exploração do tema/problema  9.2. 'A formação da sensibilidade cultural e a transfiguração da experiência: a estética' , da disciplina de Área de Integração.

Quando essa adaptação estiver concluída será publicada no blog:









sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Particle Fever





O documentário "Particle Fever" traz à vida o bosão de Higgs
O documentário é o relato fascinante e bem informado sobre a maior experiência científica do planeta, mas é também um drama real sobre a compreensão do universo.


Um novo documentário, "Particle Fever", consegue o quase impossível: torna compreensível – e empolgante – o funcionamento do acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider), até mesmo para os espectadores com a maior aversão à ciência. Mark Levinson, o realizador do filme, visitou o CERN, o centro de pesquisa na fronteira entre a França e a Suíça que abriga o LHC, pela primeira vez em 2007, e voltou diversas vezes até julho de 2012, quando a equipa de físicos de elite concluiu as suas duas décadas de buscas para encontrar o bosão de Higgs.
"Particle Fever" acompanha meia dúzia de personagens – entre os mais de 10 mil cientistas, de mais de 100 países – que trabalham na maior e mais cara experiência científica do planeta. O filme mostra-os teorizando, discutindo, jogando ténis de mesa.

Observer - Você disse que não acha que "Particle Fever" seja um documentário científico. O que é o filme, então?

Mark Levinson - Creio que seja sobre a busca do homem pela compreensão do universo. Eu queria fazer um filme atraente para pessoas que podem pensar que nem estão interessadas em ciência, mas que conseguem envolver-se nessa busca humana absolutamente maravilhosa. Pode ser difícil justificar o LHC em termos de despesa –mas, ainda que ele talvez não seja necessário para a nossa sobrevivência, é algo que está ligado ao que nos torna humanos e importantes.

Observer - Quando você começou a filmar, imaginava que os cientistas do CERN encontrariam a partícula de Higgs?

Não. Eu definitivamente acreditava que a partícula de Higgs, ou algo parecido, existia.
Mas que eles a encontrassem quando estávamos a filmar? Nunca imaginei. Quase todos os físicos haviam dito que encontrar o bosão de Higgs seria tão difícil que provavelmente seria necessário recolher dados durante anos. Na verdade, todos achavam que, se encontrassem alguma coisa, provavelmente seria uma nova partícula, mas não a de Higgs.

Observer - A Física parece envolver muito tempo de contemplação de números numa
tela de computador. Como tornar essa situação dramática?

Mark Levinson - Por sorte havia muito drama natural. Não tivemos de inventá-lo, só de reconhecê-lo e captá-lo à medida que  se desenrolava. 

Observer - Você está a referir-se a 2008, quando o LHC foi fechado por mais de um ano devido a um problema com os ímanes?

Mark Levinson - O acidente aconteceu cerca de 10 dias depois de ter começado a filmar. A minha reação imediata foi pensar que seria o fim do meu filme. Mas percebi que era provável que o acelerador viesse a ser reativado, e que o acontecido servisse  para conferir dramatismo ao filme. Havia muita pressão por causa do acidente, e por isso a reativação do LHC foi ainda mais tensa, bem como o resultado, que nos deixou em suspenso sobre o que iria acontecer a seguir.

Observer - No cerne do filme está o estranho elo entre a física teórica e a física experimental. Você pode explicar-nos o que está em causa nessa distinção?

Mark Levinson - O estereótipo dominante é o do físico teórico solitário, trabalhando sozinho numa sala, como Einstein, e ocasionalmente caminhando até ao quadro negro. Eles são a elite, em certo sentido, muito matemáticos e abstratos. Mas precisam de pessoas que concebam experiências com base nas suas teorias e lhes forneçam dados que os apontem na direção correta. O conflito muitas vezes surge devido às escalas de tempo distintas entre os dois ramos. Um físico teórico pode acordar de manhã e de repente apagar uma equação, reescrevendo-a em seguida. Já o físico experimental, enquanto isso, passou 10 anos a construir uma máquina para provar aquela teoria.
Tim Lewis, Observer.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/04/1441238-filme-particle-fever-traz-a-vida-o-boson-de-higgs.shtml


O Conhecimento Científico


Os Gregos, na antiguidade, buscavam através do uso da razão, a superação do mito ou do saber comum. O avanço na produção do conhecimento, conseguido por esses pensadores, foi estabelecer a ciência como pensamento sistematizado (filosofia, física, matemática...), o que perdurou até ao início da Idade Moderna. A partir daí, as relações dos homens tornaram-se mais complexas bem como toda a forma de garantir a sua sobrevivência. 
Gradativamente, houve um avanço técnico e científico, como a utilização da pólvora, a invenção da imprensa, a Astronomia de Galileu, a Física de Newton, etc.
Foi no início do século XVII, quando o mundo europeu passava por profundas transformações, que o homem se tornou no centro da natureza (antropocentrismo). Acompanhando o movimento histórico, ele mudou toda a estrutura do pensamento e rompeu com as concepções de Aristóteles, ainda vigentes e defendidas pela Igreja, segundo as quais tudo era hierarquizado e imóvel, desde as instituições políticas até ao planeta Terra. 
O homem passou, então, a ver a natureza como objeto da sua ação e do seu conhecimento, podendo interferir nela. Portanto, podia formular hipóteses e experimentá-las para verificar a sua veracidade, superando assim as explicações metafísicas e teológicas que até então predominavam. O mundo imóvel foi substituído por um universo aberto e infinito, ligado a uma unidade de leis. Era o nascimento da ciência enquanto um objecto específico de investigação, com um método próprio para o controlo da produção do conhecimento. Assim sendo, ciência e filosofia separam-se. 
O conhecimento científico transformou-se numa prática constante, procurando afastar crenças supersticiosas e a ignorância, através de métodos rigorosos, para produzir um conhecimento sistemático, preciso (rigoroso) e objetivo que consiga prever os acontecimentos e agir de forma mais segura. 
Sendo assim, o que diferencia o senso comum do conhecimento científico é o rigor. Enquanto o senso comum é acrítico, fragmentado, preso a preconceitos e a tradições conservadoras, a ciência preocupa-se com as pesquisas sistemáticas que produzam teorias que revelem a verdade sobre a realidade, uma vez que a ciência produz o conhecimento a partir da razão aliada à experiência.
Desta forma, o cientista, para realizar uma pesquisa e torná-la científica, deve seguir determinados passos. Em primeiro lugar, o pesquisador deve estar motivado a resolver uma determinada situação-problema. Normalmente a colocação de um problema é seguida pela formulação de algumas hipóteses. 
Usando a sua criatividade, o pesquisador deve observar os factos, colher dados e, então, testar as suas hipóteses, que poderão transformar-se em teorias e, posteriormente, ser incorporadas nas leis que possam explicar e prever os fenómenos. 
Porém, é fundamental registar que a ciência não é somente acumulação de verdades prontas e acabadas, mas devemos vê-la como um campo sempre aberto às novas concepções e contestações sem perder de vista os dados, o rigor e a coerência e aceitando que o que prova que uma teoria é científica é o facto de ela ser falível e aceitar ser refutada. 
O termo ciência vem do latim, scientia, de sciens, conhecimento, sabedoria. É um corpo de doutrina, organizado metodicamente que constitui uma área do saber e é relativo a determinado objecto. 
O que caracteriza cada ciência é o seu objecto formal, ou seja, aquilo que é estudado, porém, o desdobramento dos objetos do saber científico caminhou progressivamente para a especialização das ciências (que marcou bastante o século XIX com o advento da técnica e da industrialização). 
http://www.geocities.com/joaojosefonseca/esquerdo.htm?200615(15/08/2006)


Quem é Higgs:

O que é o Bosão de Higgs:

Mais experiências sobre o Bosão:
https://www.publico.pt/2018/08/28/ciencia/noticia/bosao-de-higgs-visto-finalmente-a-desintegrarse-1842316


6 Tópicos sobre a Filosofia da Ciência:
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/seis-topicos-fundamentais-sobre-filosofia-ciencia.htm

FICHA (Download)
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Actividades:
(Trabalho de grupo)
1. Levantamento de questões profundas e pertinentes sobre o documentário.(Num mínimo de 10).

2. Elaboração de um mapa mental (conceptual) exploratório do documentário (que deve articular as questões levantadas no ponto 1).

3. Elaboração de uma reflexão crítica sobre o documentário. 
3.1. Na reflexão crítica o grupo deverá responder, também, às questões:
                A. O que é que distingue o conhecimento científico e o conhecimento vulgar (senso comum)? Devem ser explorados dados constantes do documentário.
                   B. O que é que caracteriza a ciência?
                   C. O que é e como funciona o método experimental?

Duração: 3 aulas.

Instrumentos de trabalho:
Como construir mapas conceptuais
O que são mapas mentais?
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Avaliação:
1. 10%.
2. 30%
3. 60% (Destes: 3.1.A. 10%; 10.B. 10%; 3.1C. 20%).

Competências a avaliar:

Conceptualização - 15%;
Problematização - 30 %;
Argumentação - 40 %;
Comunicação - 15%.

O Senso Comum e a Ciência







Vermeer, 'A Leiteira', 1658.

O Senso Comum (ou Conhecimento Vulgar) 

No seu dia-a-dia, o homem adquire espontaneamente um modo de entender e actuar sobre a realidade. Algumas pessoas, por exemplo, não passam por baixo de escadas, porque acreditam que dá azar; se partirem um espelho, acreditam que terão sete anos de azar. Algumas confeiteiras sabem que o forno não pode ser aberto enquanto o bolo está a cozer, senão ele não cresce, sabem também que a determinados pratos, feitos em banho-maria, devem-se acrescentar umas gotas de vinagre ou de limão para que a vasilha de alumínio não fique escura. Como aprenderam estas informações? Elas foram sendo passadas de geração em geração. Elas não só foram assimiladas mas também transformadas, contribuindo assim para a compreensão da realidade
Assim, se o conhecimento é produto de uma prática que se faz social e historicamente, todas as explicações para a vida, para as regras de comportamento social, para o trabalho, para os fenómenos da natureza, etc., passam a fazer parte das explicações para tudo o que observamos e experienciamos. Todos estes elementos são assimilados ou transformados de forma espontânea. Por isso, raramente há questionamentos sobre outras possibilidades de explicações para a realidade. Habituamo-nos a uma determinada compreensão de mundo e não nos questionamos mais; tornamo-nos "conformistas de algum conformismo". 
São inúmeros os exemplos presentes na vida social, construídos pelo "ouvi dizer", que formam uma visão de mundo fragmentada e assistemática. Mesmo assim, é uma forma usada pelo homem para tentar resolver os problemas da sua vida quotidiana. Isto tudo é denominado senso comum ou conhecimento espontâneo. 
Portanto, podemos dizer que o senso comum é o conhecimento acumulado pelos homens, de forma empírica, porque se baseia apenas na experiência quotidiana, sem se preocupar com o rigor que a experiência científica exige e sem questionar os problemas colocados justamente pelo quotidiano. Portanto, é também um saber ingénuo uma vez que não possui uma postura crítica (é, portanto, um saber acrítico). 
Em geral, as pessoas percebem que existe uma diferença entre o conhecimento do homem do povo, às vezes até cheio de experiências, mas que não estudou, e o conhecimento daquele que estudou determinado assunto. E a diferença é que o conhecimento do homem do povo foi adquirido espontaneamente, sem muita preocupação com o método, com a crítica ou com a sistematização (o senso comum é, assim, ametódico, acrítico e assistemático). Ao passo que o conhecimento daquele que estudou algo foi obtido com esforço, usando-se um método, uma crítica mais pensada e uma organização mais elaborada dos conhecimentos
Porém, é importante destacar que o senso comum é uma forma válida de conhecimento, pois o homem precisa dele para encaminhar, resolver ou superar as suas necessidades do dia-a-dia. Os pais, por exemplo, educam os seus filhos mesmo não sendo psicólogos ou pedagogos, e nem sempre os filhos de pedagogos ou psicólogos são os melhor educados. 
O senso comum é ainda subjectivo ao permitir a expressão de sentimentos, opiniões e de valores pessoais quando observamos as coisas à nossa volta. Por exemplo: 
a) se uma determinada pessoa não nos agrada, mesmo que ela tenha um grande valor profissional, torna-se difícil reconhecer este valor. Neste caso, a antipatia por esta determinada pessoa impede-nos de reconhecer as suas capacidades;
b) os hindus consideram a vaca um animal sagrado, enquanto nós, ocidentais, concebemos este animal apenas como um fornecedor de carne, leite, etc. Por essa razão consideramo-los ignorantes e ridículos, pois tendemos a julgar os povos, que possuem uma cultura diferente da nossa, a partir dos nossos padrões valorativos.
Levando-se em conta a reflexão feita até aqui, podemos considerar o senso comum como sendo uma visão de mundo precária e fragmentada. Mesmo possuindo o seu valor enquanto processo de construção do conhecimento, ele deve ser superado por um conhecimento que o incorpore, que se estenda a uma concepção crítica e coerente e que possibilite, até mesmo, o acesso a um saber mais elaborado




Vermeer, 'O Geógrafo', 1669.

O Conhecimento Científico

Os Gregos, na antiguidade, buscavam através do uso da razão, a superação do mito ou do saber comum. O avanço na produção do conhecimento, conseguido por esses pensadores, foi estabelecer o vínculo entre ciência e pensamento sistematizado (filosofia, física, matemática...), que perdurou até o início da Idade Moderna. A partir daí, as relações dos homens tornaram-se mais complexas bem como toda a forma de produzir a sua sobrevivência. Gradativamente, houve um avanço técnico e científico, como a utilização da pólvora, a invenção da imprensa, a Física de Newton, a Astronomia de Galileu, etc. 
Foi no início do século XVII, quando o mundo europeu passava por profundas transformações, que o homem se tornou o centro da natureza (antropocentrismo). Acompanhando o movimento histórico, ele mudou toda a estrutura do pensamento e rompeu com as concepções de Aristóteles, ainda vigentes e defendidas pela Igreja, segundo as quais tudo era hierarquizado e imóvel, desde as instituições políticas até ao planeta Terra. O homem passou, então, a ver a natureza como objecto da sua acção e do seu conhecimento, podendo interferir nela. Portanto, podia formular hipóteses e experimentá-las para verificar a sua veracidade, superando assim as explicações metafísicas e teológicas que até então predominavam. O mundo imóvel foi substituído por um universo aberto e infinito, ligado a uma unidade de leis. Era o nascimento da ciência enquanto um objecto específico de investigação, com um método próprio para o controlo da produção do conhecimento. Assim sendo, ciência e filosofia separam-se. 
O conhecimento científico transformou-se numa prática constante, procurando afastar crenças supersticiosas e a ignorância, através de métodos rigorosos, para produzir um conhecimento sistemático, preciso (rigoroso) e objectivo que consiga prever os acontecimentos e agir de forma mais segura. 
Sendo assim, o que diferencia o senso comum do conhecimento científico é o rigor. Enquanto o senso comum é acrítico, fragmentado, preso a preconceitos e a tradições conservadoras, a ciência preocupa-se com as pesquisas sistemáticas que produzam teorias que revelem a verdade sobre a realidade, uma vez que a ciência produz o conhecimento a partir da razão.
Desta forma, o cientista, para realizar uma pesquisa e torná-la científica, deve seguir determinados passos. Em primeiro lugar, o pesquisador deve estar motivado a resolver uma determinada situação-problema que, normalmente, é seguida , por algumas hipóteses. Usando a sua criatividade, o pesquisador deve observar os factos, colher dados e, então, testar as suas hipóteses, que poderão transformar-se em leis e, posteriormente, ser incorporadas nas teorias que possam explicar e prever os fenómenos
Porém, é fundamental registar que a ciência não é somente acumulação de verdades prontas e acabadas, mas tê-la como um campo sempre aberto às novas concepções e contestações sem perder de vista os dados, o rigor e a coerência e aceitando que o que prova que uma teoria é científica é o facto de ela ser falível e aceitar ser refutada
O termo ciência vem do latim, scientia, de sciens, conhecimento, sabedoria. É um corpo de doutrina, organizado metodicamente que constitui uma área do saber e é relativo a determinado objecto. 
O que caracteriza cada ciência é o seu objecto formal, ou seja, a coisa observada, porém, o desdobramento dos objectos do saber científico caminhou progressivamente para a especialização das ciências (acto que marcou bastante o século XIX com o advento da técnica e da industrialização). 
http://www.geocities.com/joaojosefonseca/esquerdo.htm?200615(15/08/2006)

Actividades:
1. Defina o conceito de senso comum.
2. Defina o conceito de ciência.
3. Justifique a seguinte afirmação do texto: “é importante destacar que o senso comum é uma forma válida de conhecimento”.
4. Em que é que a ciência se distingue do senso comum? Justifique exaustivamente a sua resposta.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Os Princípios Lógicos da Razão

Os princípios lógicos da razão

Desde os seus começos, a Filosofia considerou que a razão opera seguindo certos princípios que ela própria estabelece e que estão em concordância com a realidade, mesmo quando os empregamos sem os conhecer explicitamente. Ou seja, o conhecimento racional obedece a certas regras ou leis fundamentais, que respeitamos até mesmo quando não conhecemos diretamente quais são e o que são. Nós respeitamo-las porque somos seres racionais e porque são princípios que garantem que a realidade é racional e que a nossa razão funciona de forma coerente.

Esses princípios são:

O Princípio da identidade, cujo enunciado pode parecer surpreendente: “A é A” ou “Qualquer objecto é igual a si próprio”. O princípio da identidade é a condição do pensamento e sem ele não podemos pensar. Ele afirma que uma coisa, seja ela qual for (um ser da Natureza, uma figura geométrica, um ser humano, uma obra de arte, uma ação), só pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com a sua identidade.

Por exemplo, depois que um matemático definir o triângulo como figura de três lados e de três ângulos, não só nenhuma outra figura que não tenha esse número de lados e de ângulos poderá ser chamada de triângulo como também todos os teoremas e problemas que o matemático demonstrar sobre o triângulo, só poderão ser demonstrados se, a cada vez que ele disser “triângulo”, soubermos a qual ser ou a qual coisa ele se está a referir. O princípio da identidade é a condição para que definamos os conceitos que representam as coisas e possamos conhecê-las a partir das suas definições.

O Princípio da não-contradição, cujo enunciado é: “A é A e é impossível que seja, ao mesmo tempo e na mesma relação, não-A”; "um objeto não pode ser e não ser ao mesmo tempo e segundo uma mesma perspectiva; uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo e segundo uma mesma perspectiva".

Assim, é impossível que a árvore que está diante de mim seja e não seja uma figueira; que o cão da Filomena seja e não seja branco; que o triângulo tenha e não tenha três lados e três ângulos; que o homem seja e não seja mortal; que o vermelho seja e não seja vermelho, etc.

Sem o princípio da não-contradição, o princípio da identidade não poderia funcionar. O princípio da não-contradição afirma que uma coisa ou uma ideia que se negam a si mesmas se autodestroem, desaparecem, deixam de existir. Afirma, também, que as coisas e as ideias contraditórias são impensáveis e impossíveis.

O Princípio do terceiro-excluído, cujo enunciado é: “Ou A é x ou é y e não há terceira possibilidade”; "uma coisa é ou não é, não há uma terceira alternativa"; " uma proposição é verdadeira ou falsa, não há uma terceira possibilidade". Por exemplo: “Ou este homem é Sócrates ou não é Sócrates”; “Ou faremos a guerra ou faremos a paz”. Este princípio define a decisão de um dilema - “ou isto ou aquilo” - e exige que apenas uma das alternativas seja verdadeira.

O Princípio da razão suficiente, que afirma que tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razão (causa ou motivo) para existir ou para acontecer, e que tal razão (causa ou motivo) pode ser conhecida pela nossa razão. O princípio da razão suficiente costuma ser chamado ‘princípio da causalidade’ para indicar que a razão afirma a existência de relações ou conexões internas entre as coisas, entre factos, ou entre ações e acontecimentos. Pode ser enunciado da seguinte maneira: “Dado A, necessariamente se dará B”. E também: “Dado B, necessariamente houve A”.

Isso não significa que a razão não admita o acaso ou ações e factos acidentais, mas sim que ela procura, mesmo para o acaso e para o acidente, uma causa.

Pelo que foi exposto, podemos observar que os princípios da razão apresentam algumas características importantes:

- não possuem um conteúdo determinado, pois são formais: indicam como as coisas devem ser e como devemos pensar, mas não nos dizem quais coisas são, nem quais os conteúdos que devemos ou vamos pensar;

- possuem uma vigência universal, isto é, onde houver razão (nos seres humanos e nas coisas, nos factos e nos acontecimentos), em todo o tempo e em todo lugar, tais princípios são verdadeiros e são aplicados por todos (os humanos/os seres racionais) e obedecidos por todos (coisas, factos, acontecimentos);

- são necessários, isto é, indispensáveis para o pensamento e para a vontade, indispensáveis para as coisas, os factos e os acontecimentos. Indicam que algo é assim e não pode ser de outra maneira. Necessário significa: é impossível que não seja dessa maneira e que pudesse ser de outra.

Marilena Chaui

http://cristianofilosofia.no.comunidades.net/index.php?pagina=1388944761 

(Consulta: 24/09/2013)



quarta-feira, 21 de outubro de 2020

O empreendedorismo





O QUE É O EMPREENDEDORISMO?

Os empreendedores são pessoas diferentes: são pessoas com uma visão muito própria da vida. Ainda assim, se olharmos bem à nossa volta, veremos que existem empreendedores em todos os quadrantes da nossa sociedade.
O maior grupo de empreendedores é claramente o dos micro e pequenos empresários, que são os proprietários de estabelecimentos comerciais e prestadores dos mais variados tipos de serviços. Neste grupo, encontramos os proprietários de lojas, restaurantes, lavandarias, quiosques, entre muitas outras formas de comércio. Encontramos também os profissionais liberais, grupo composto por advogados, contabilistas, arquitectos, dentistas, desenhadores, escritores e todos aqueles que dominam uma profissão, com menor ou maior grau de complexidade técnica, envolvendo mais ou menos recursos materiais necessários à execução do serviço que prestam.
Este é o grupo dos sobreviventes. Dos que deram a volta ao desemprego e não emigraram. Apostaram uma boa parte das suas poupanças no arranque do seu negócio ou na sua formação profissional e conseguiram. Por cada um que consegue, dezenas vão à falência.
Com algumas excepções honrosas, o grupo dos micro e pequenos vive numa luta diária, equilibrando as contas e procurando expandir a sua actividade comercial ou profissional a grande custo. Deste grupo, todos dependemos. Sem ele, a nossa vida seria impossível e por isso devemos agradecer o seu esforço e iniciativa, todos os dias. Muitas empresas notáveis começaram a partir deste grupo.
A elite do empreendedorismo da nossa sociedade, no entanto, é a que se situa nas grandes empresas. São os empreendedores que dispensam apresentações. De grande coragem e inteligência, estes empreendedores fazem toda a diferença nos indicadores económicos de qualquer país. Dão emprego a milhares de profissionais, geram riqueza e aproveitam rapidamente as oportunidades. Além disso, o seu poder estende-se muito além das empresas que lideram, tendo grande influência na sociedade em que vivem, influenciando comportamentos e transmitindo conhecimento valioso.
Fora do meio empresarial também é frequente encontrarmos empreendedores. Na cultura, no desporto, nas organizações sem fins lucrativos e até na função pública, surgem, por vezes, personalidades que fazem toda a diferença. Pela capacidade de inovar e pelos resultados notáveis que alcançam, estes empreendedores oferecem-nos melhor qualidade de vida quer seja através de serviços públicos de grande nível, quer através da arte e do entretenimento.
Como definimos então o empreendedorismo? O que é que estas mulheres e homens têm de especial que as torna capazes de desenvolver organizações e mesmo países, criando riqueza e melhorando a vida de todos nós?
Cremos que a melhor definição do empreendedorismo passa por caracterizar uma atitude perante o risco. Como mencionamos na introdução deste artigo, os empreendedores têm uma visão muito própria da vida, são um grupo de pessoas que aceita o risco como um elemento necessário para atingir os seus objectivos.
Sendo uma característica distintiva dos empreendedores, a tolerância ao risco pode ter diferentes motivações. Dependendo da origem social e da personalidade de cada um, os empreendedores aceitam o risco em função das oportunidades que encontram no mercado. Não é muito difícil de compreender que uma grande parte dos micro e pequenos empresários opta por se lançar num negócio próprio por falta de oportunidades de emprego. Não admira por isso que alguns dos países com maiores proporções de trabalhadores por conta própria sejam aqueles com maiores níveis de informalidade económica, factor que afugenta as grandes multinacionais.
Outros, porém, seguem esta via através de uma motivação diferente. É o seu desejo de liberdade que os motiva a arriscar e seguir em frente com as suas ideias. Nestes empreendedores vemos agentes de mudança, pessoas que não se conformam e querem fazer a diferença. A convicção nas suas ideias e o desejo de não depender de um patrão justificam o risco.
O risco envolvido na implementação de qualquer tipo de projecto (ainda que de pequena dimensão) é real e justifica que se diga que o empreendedorismo não é para todos. A muitos pequenos empresários falta a experiência para avaliar acertadamente o risco. Ainda que dominem uma determinada técnica, profissão ou franja do mercado, isso não é suficiente para perceber o que funciona e o que não funciona. O resultado é que acabam por empatar uma quantia significativa das suas poupanças pessoais num restaurante ou numa loja e passar muitos anos a recuperar as dívidas entretanto contraídas. É um drama que explica os mais de 80% de falências das empresas com menos de dois anos de existência.
A capacidade para avaliar o risco num determinado negócio consegue-se sobretudo através da experiência. Cremos que a experiência é insubstituível, embora a formação académica possa dar uma grande ajuda. Ora, a experiência requer uma grande dose de persistência (outro elemento que define bem o empreendedorismo) para tentar e errar, tentar e errar - as vezes necessárias para adquirir experiência. Mais fácil é dizer do que fazer para manter a estabilidade emocional e financeira.
Os empreendedores bem sucedidos assumem riscos calculados e conseguem reduzir substancialmente o nível de risco analisando cuidadosamente os modelos de negócios, o sector e o mercado antes de avançar. Se o leitor optar pelo caminho do empreendedorismo, terá não só que ter boas ideias, mas também de ser capaz de executá-las com eficácia; terá de possuir a tenacidade suficiente para enfrentar os obstáculos e decidir apenas quando todos os factores lhe forem favoráveis.
O empreendedorismo é uma atitude. E enquanto muitos acreditam que vale a pena correr o risco de largar tudo e começar imediatamente a trabalhar nos seus próprios projectos, convém perguntar-se a si mesmo algumas perguntas antes de embarcar na aventura de começar uma empresa:


  • Quem são os meus clientes?
  • Onde estão eles?
  • A que preço vão comprar o meu produto ou serviço?
  • Que quantidades estão dispostos a comprar?
  • Qual é o papel que o meu produto vai desempenhar na vida dos meus clientes?
  • Quem são os meus concorrentes?
  • Como é que o meu produto ou serviço é diferente do dos meus concorrente


Além do risco, o empreendedorismo passa pelo entusiasmo, pela capacidade de animar e contagiar outras pessoas, comprometendo-as verdadeiramente com a sua visão.
Richard Branson, um dos empresários mais extravagantes (e bem-sucedidos) do mundo ensina-nos muito sobre esta atitude: "Um negócio tem que ser cativante, tem que ser divertido, e tem que estimular o seu instinto criativo." A não ser que a sua ideia inspire as outras pessoas, não será capaz de gerar a energia, a força de vontade e o apoio necessários para ir avante.
Outro aspecto que caracteriza o empreendedorismo é a capacidade para gerir recursos escassos. Como todos os novos empreendedores sabem, não é sempre possível contratar o pessoal necessário, os melhores computadores ou instalações de luxo - sobretudo nas fases iniciais. O empreendedor tem que usar muitos chapéus diferentes e fazer praticamente tudo por si mesmo, se necessário. Além disso, gasta-se muito tempo na resolução de problemas técnicos e operacionais, por vezes totalmente inesperados. Ter alguma capacidade de improviso, acredite, é fundamental; aliás, basta perguntar a qualquer proprietário de um restaurante.
Como vimos, não há limites quanto ao tipo de negócio que se pode começar. As possibilidades são tão ilimitadas como as ideias. Qualquer sector pode ser o sector ideal para começar uma nova empresa: serviços, comércio a retalho, construção, financeiro, seguros, transportes, indústria ou mesmo as áreas relacionadas com as indústrias criativas como a arte, o espectáculo e o design, entre muitos outros sectores. O tipo certo de negócio a começar é o que lhe for mais apelativo, o que tiver mais a ver consigo, com os seus gostos e personalidade.


PERFIL DO EMPREENDEDOR:

Criatividade e capacidade de persuasão - Os empreendedores possuem fortes competências de venda e são persuasivos e persistentes. No início, os empreendedores bem sucedidos dependem muito das suas capacidades comerciais e da sua rede de contactos;

Persistência - Para não desistir e implementar as suas ideias;

Motivação - Nos negócios, as probabilidades estão sempre contra quem rema contra a corrente. É necessário persistência quando as pessoas à nossa volta já contam com o fracasso e estar no controlo do nosso próprio destino, assumindo a responsabilidade de nos auto-motivarmos;

Sorte - Os empreendedores criam a sua própria sorte pelo facto de serem responsáveis pelas suas próprias acções, aprendem com os erros - um erro é uma oportunidade para aprender e persistir. Os criadores de sorte não desistem nem adiam. Quando um problema surge, agem imediatamente, resolvendo-o sem demora ou delegando a responsabilidade da sua resolução.Visão: ter capacidade para descobrir nichos de mercado - Não ser "tudo para toda a gente", ser capaz de oferecer um produto ou serviço aos clientes sem comparação no mercado.

Preparação - Como Abraham Lincoln disse: "Dêem-me seis horas para abater uma árvore e eu vou passar as primeiras quatro a afiar o machado".


Para saber mais:





























Teorias estéticas de Paulo Gomes As emoções: Sentimentos: Psicologia das cores: ...