quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Prometheus

Prometheus e a Busca da Iluminação

Na mitologia grega, Prometeu é um titã, a raça de divindades que vieram antes dos deuses do Olimpo. Ele roubou o fogo dos deuses para dá-lo à humanidade – um ato que levou ao progresso e à civilização. Para realizar o ato de trazer fogo (um símbolo do conhecimento divino) para a humanidade, Prometeu tornou-se uma figura importante na mitologia das escolas de mistério, como a Maçonaria e Rosacrucianismo, que se baseiam no uso de conhecimento oculto, a fim de alcançar a divindade.

O equivalente judaico-cristão de Prometeu é Lúcifer, um “anjo caído” de grande inteligência, que no início era o favorito de Deus, depois desafiou Deus e trouxe uma nova forma de conhecimento para a humanidade. O nome Lúcifer é deriva do latim e significa “portador da luz”, que é exatamente o que Prometeu fez, trazendo a luz do fogo (do conhecimento) à Humanidade. 

No início da viagem espacial, o presidente da corporação que financia a missão dá um discurso sobre a importância da missão:

“O titã Prometeu queria colocar em pé de igualdade a humanidade com os deuses e por isso, ele foi expulso do Olimpo. Bem, meus amigos, a hora finalmente chegou para o seu retorno”.

No filme, Prometeu é o nome da nave espacial que transporta os seres humanos aos seus Engenheiros alienígenas. Ele representa simbolicamente seres humanos usando o “fogo” (conhecimento) que lhes foi dado para voltarem à divindade (seus criadores aliens) pelos seus próprios meios. Esta metáfora de iniciação espiritual é uma reminiscência das muitas histórias mitológicas encontradas ao longo da história que escondem um significado semelhantemente.

No entanto, as Escolas de Mistérios acreditam que a iluminação não é dada a todos, mas apenas a alguns poucos escolhidos e isso é apropriadamente refletido em ‘Prometheus’. No filme, todas as pessoas que estavam a bordo para fins egoístas, monetários ou inautênticos morreram. Só o quem estava lá por amor à verdade e com uma forte fé espiritual sobreviveu.

Além de Elizabeth, só sobreviveu David, o Andróide, um ser inteligente criado pelo homem - o que
não deixa de ser muito interessante: o homem é capaz dum ato divino ao criar seres inteligentes. Mas isso não faz do homem um ser divino em si, se com isso quisermos referir-nos a uma inteligência superior, iluminada por uma bondade sem limites. Na verdade os Engenheiros que os astronautas da nave Prometheus procuram também não sem nem bons nem perfeitos.

No final do filme, David fica sua cabeça cortada, mas, já que ele é um robô, as funções que ele registou continuam. Elizabeth pega na cabeça do robô e continua a sua busca, o que simbolicamente significa que ela precisa de intelecto puro e tecnologia para alcançar a iluminação

David tem grande capacidade intelectual, o que o leva a acreditar que ele é superior aos seus colegas humanos. Apesar deste facto, ele é, no entanto, fundamental para a busca de Elizabeth – uma sutil mensagem informando que o transumanismo é importante na evolução humana, uma crença da própria Elite.

No final do filme, David não entende por que é que Elizabeth deseja continuar a sua busca pelos seus criadores. A diferença é que ela tem uma alma e que ele não. É por esta razão que ela volta a colocar a cruz no pescoço. A sua busca não é simplesmente uma missão espacial, é uma peregrinação espiritual para descobrir de onde ela vem.

Na cena final do filme, Elizabeth decide não voltar para a Terra (representando a materialidade) e continua a procurar os Engenheiros (representando a iluminação e a divindade). A sua busca portanto, não acabou… e pode haver uma continuação


Conclusão

Enquanto a maioria dos espectadores provavelmente ficou com a convicção de que ‘Prometheus’ é um “filme decente sobre aliens”, poucos sabem do seu profundo significado e simbolismo. Inspirando-se na teoria dos antigos astronautas, ‘Prometheus’ propõe uma reconfiguração radical da história e da teologia, que faz da humanidade um produto de “deuses criadores” extraterrestres. O filme também mistura essa busca de conhecimento científico com as questões espirituais e metafísicas, tornando esta história não só sobre aliens furiosos, mas sobre questões existenciais sem fim.
Como o título do filme sugere, a história de seres humanos que vão para o espaço para encontrar os seus criadores tem um significado espiritual (esotérico) subjacente, e de como ela pode ser interpretada como uma metáfora para a iluminação espiritual. O titã Prometeu é uma figura central em escolas de mistério ocultistas, uma figura arquetípica de um “rebelde superior”, que trouxe o conhecimento divino para a humanidade – com todos os benefícios e as armadilhas que isso gera. As sociedades secretas ocultistas acreditam que esse conhecimento fornece o caminho de volta para a divindade. Da mesma forma que a nave Prometheus deixa a terra para encontrar os Engenheiros, o ocultismo iniciático mostra como deixar o plano material para atingir a iluminação e “ser um” com o que eles acreditam ser o “Grande Arquiteto do Universo”.
Dito isto, há alguma verdade nas muitas histórias e mitologias que se referem a uma figura divina que vem de cima para transmitir conhecimento à humanidade? Existe uma fonte “externa” para o conhecimento avançado e esotérico da humanidade? Houve uma vez uma “super-raça” como os Nefilins na Terra ajudando a humanidade a “desenvolver-se”, mas, finalmente, corrompendo-a? É este o “elo perdido” na evolução humana? É a razão pela qual a humanidade é auto-destrutiva e de alguma forma está fora de sincronia com o resto do planeta? Será que esta fonte exterior vem de aliens como sugerido em ‘Prometheus’ ou de anjos caídos e/ou demónios, como escrito em textos antigos? Será esta a fonte externa por trás dos ensinamentos das sociedades secretas e por trás… dos Illuminati?

Texto copiado aqui

Rever matéria do tema 1.2 (Módulo 01):


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Atividades:

1. Elabore uma lista de questões/problemas relacionados com os temas abordados no filme. A lista deve ser exaustiva.

2. Escolha as 3 questões que considera mais importantes.

3. Construa um mapa conceptual interpretativo do filme.

4. Elabore uma reflexão crítica sobre o filme.


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A dimensão política da arte




A dimensão social da arte

As relações entre a arte e a sociedade são recíprocas e dinâmicas. Tanto o campo social influencia a produção artística (conforme procura explicar a História da Arte, ao reconstruir as circunstâncias em que se concebem as obras, de modo a compreender e a explicar a sua evolução e a sua forma e significado), como a arte condiciona o contexto social.

A repercussão social da arte, resultado do seu processo de circulação no seio da sociedade que chega ao seu destinatário ou público consumidor, permite conhecer o raio de ação do campo artístico sobre o campo social, o efeito (interesse, indignação ou indiferença) que a obra desencadeia no público e o seu consumo (interpretação e contemplação ou utilização da obra).

A interdependência, medida pelas influências e conexões, da arte com o seu meio social sugere-nos o estudo da dimensão social do facto artístico, que se situa num campo vasto, complexo e interdisciplinar. Consequentemente, referir a conexão entre a arte e a sociedade e sugerir uma dimensão social da arte pressupõe encarar a obra como um produto social, por um lado, e como um elemento constitutivo da própria sociedade, por outro lado.


Caravaggio, 'A Morte da Virgem'(1606)
A teoria da arte como imitação apresenta a arte como espelho da realidade. Contrariando esta lógica do reflexo, Bourdieu defende que é o campo artístico que exerce um efeito de reestruturação ou de refracção devido às suas forças e formas específicas. Assim a arte não é um mero reflexo da realidade social.
/.../

A criação artística como expressão social está patente na variedade de estilos, formas, matérias e temas que marcam as épocas das obras de arte. Ao longo da história, a arte tem conseguido expressar a diversidade religiosa: os templos gregos em honra dos deuses, as pirâmides egípcias, as mesquitas árabes, os mosaicos bizantinos ou os vitrais góticos e os capitéis românicos das catedrais ocidentais.

A arte é interpretação da sociedade e tanto pode corroborar como criticar uma determinada situação social ou certos valores de uma época. Esta possibilidade atribui à obra um certo valor social de intervenção. Por exemplo, uma obra ou monumento comemorativo pode representar ou simbolizar tanto um regime democrático (a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque) como o absolutismo do poder político (a águia imperial no Bundestag ou Versalles a reforçar a ideia de Estado centralizado de Luís XIV). O valor de propaganda política da obra pode, no entanto, condicionar a ação criadora do artista. O poder está consciente da força persuasiva da arte, da possibilidade de expressar tendências sociais a favor ou contra um ideal político, pelo que em sociedades totalitárias o artista vê a sua produção subordinada à crítica, à condenação e à censura.

O artista tanto pode desenvolver uma obra apologista do regime político como servir-se da arte para condenar uma certa ideologia.

Com frequência, a arte interpreta a sociedade de forma interventiva e crítica. Por exemplo, Guernica, de Pablo Picasso, revelou a solidariedade do artista com os Republicanos despertada pela Guerra Civil de Espanha. O painel foi inspirado no bombardeamento de Guernica, antiga capital dos Bascos. Não representa o próprio acontecimento, mas evoca, mediante as imagens e formas adoptadas por Picasso, a agonia da guerra. A obra, de 1937, constitui uma visão profética de desgraça do bombardeamento de saturação que marcou, depois, a Segunda Guerra Mundial.

A realidade é o que é em si: una, objectiva, concreta. Mas é uma diversidade de coisas ou estados de coisas. Por isso também é diversa, heterogénea. O que designamos vulgarmente por sociedade ou contexto social não é mais do que um conjunto heterogéneo de situações, pessoas, padrões culturais e realidades de ordem diversa (a estrutura social engloba crenças e práticas religiosas, mercados económicos, ações políticas, níveis culturais, pensamentos científicos, ideias sobre arte, etc.). As visões, perspectivas ou modos de interpretar artisticamente a realidade são diversas e criam realidades heterogéneas. Visões subjetivas do mundo codificado social e culturalmente. O artista é o intérprete da colectividade à qual pertence.

Também o termo “arte” pressupõe uma realidade diversa, razão pela qual existem linguagens artísticas diferentes e peculiaridades técnicas e materiais das obras. A diversidade da realidade artística e a peculiaridades das linguagens e técnicas da arte explicam a capacidade de produção e de recepção de influências do meio social. Existem tantos modos de ver como mundos interpretados pela arte, na medida em que proliferam redes ou estruturas onde se produzem e se consomem as obras de arte, pelo que se pode dizer que o campo de possibilidades da arte é virtualmente infinito.

A arte também é transformação ou recriação do real. O mundo real não coincide com o real da arte. A obra de arte revela uma realidade transfigurada. Da conjugação da realidade social com o pensamento e sentimento que movem o artista nasce a obra.

/.../ Além de processos de expressão ou modos de comunicação, as formas artísticas têm a possibilidade de influir nos gostos, ideias, comportamentos ou atitudes de determinados grupos sociais como de suscitar escândalo ou polémica. São inúmeros os factores que condicionam os efeitos sociais da arte. Primeiro, a função da obra de arte e a sua incidência nos padrões culturais da sociedade ou nos modos de pensar de um determinado grupo social.
/.../ Quando exprime o seu gosto, o indivíduo revela a cultura em que foi formado. Em cada época existem factores que determinam a formação de padrões ou critérios de beleza aos quais o indivíduo, inserido num determinado contexto sociocultural, se submete quer para produzir obras de arte, enquanto artista, quer para avaliá-las, enquanto espectador.
 Ao longo da história surgiram diferentes ideais de beleza que se solidificaram no seio social e que os artistas ora imortalizaram com obras de arte ora transformaram com outros estilos, critérios e formas de expressão artística. O gosto ou os cânones dominantes de uma determinada sociedade numa certa época tende a condicionar eventuais novas formas de expressão estética.
Com frequência, líderes de opinião condicionam a receptividade pública de obras por veicularem juízos estéticos e críticos. A moda ou seguidismo do público são proporcionados pela emissão, por parte dos críticos, de juízos estéticos sobre as obras. Outro caso curioso prende-se com a obra de Edouard Manet (1832-1883), pintor francês que hoje é geralmente considerado o percursor da pintura moderna, mas que em vida apenas teve Émile Zola como único crítico que valorizou a sua obra. Independentemente da qualidade artística, a maior parte das obras de Manet rejeitadas no século XIX encontram-se hoje nos museus mais importantes espalhados pelo mundo. As obras são as mesmas. O que mudou foi a apreciação da sua qualidade, os juízos de valor dependentes das ideias, interesses e gostos historicamente variáveis das pessoas que os formulam e que são condicionados pela sociedade e pela cultura de uma determinada época.
A arte pode assumir a condição de expressão tanto de um mundo interior (experiência pessoal, ideais, gostos transparecem na criação do artista) como de um mundo exterior do artista. Apresenta-se ao público, por conseguinte, como uma concepção individual. No entanto, o artista não é imune às influências do meio social em que vive. É um ser histórico, com um determinado contexto sociocultural e com um passado de experiências que se repercutem na obra.
/.../ É na realidade que o artista se inspira (cores, formas, sons, ideias, movimentos, matérias) e impõe a sua arte. O artista vive num mundo social onde se instruiu com hábitos, usos, costumes, modos de ver e interesses; exercitou as suas aptidões; formou os seus padrões culturais; e apurou os seus sentidos para a experiência estética. A interiorização dos padrões vigentes na sociedade de que faz parte o artista tornou-o alguém com capacidades de aplicar esteticamente os elementos sociais que integra.
Paulo Barroso, http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR460e84135cce8_1.pdf

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A teoria da arte como imitação pode ser politicamente conservadora, mas também pode ser transformadora da sociedade (revolucionária) se procurar mostrar os problemas que se vivem na sociedade...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Lixo Extraordinário



Filmado ao longo de dois anos (Agosto de 2007 a Maio de 2009) “Lixo Extraordinário” acompanha o trabalho de Vik Muniz no aterro do Jardim Gramacho (Rio de Janeiro), o maior aterro sanitário da América Latina . Nesse lugar, ele fotografou um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. 

No entanto, o trabalho com essas personagens vai revelando a dignidade e o desespero que enfrentam quando lhes é sugerido que imaginem as suas vidas fora daquele ambiente. A equipa de filmagem tem acesso a todo o processo e, no final, revela o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano.

Consagrado pelo público como o melhor documentário em festivais como Sundance, Berlim, entre outros, o filme tem realização conjunta de João Jardim ('Janela da Alma' e 'Pro Dia Nascer Feliz'), da cineasta Karen Harley e da documentarista inglesa Lucy Walker. 
Segundo o dicionário “lixo” significa qualquer material considerado inútil, supérfluo, e/ou sem valor, gerado pela atividade humana. Antes de chegar ao Jardim Gramacho, Vik Muniz e os diretores do documentário não esperavam encontrar nada muito diferente disso, mas se surpreenderam ao conhecer pessoas cativantes, cheias de dignidade, como Tião, jovem presidente da Associação de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (ACAMJG), ou Zumbi, catador que resgata os livros do lixão e acabou montando uma biblioteca com os exemplares.

Inaugurado em 1970 como uma instalação para resíduos sólidos, o aterro se transformou em moradia para uma comunidade anárquica de catadores durante as crises econômicas dos anos 70 e 80. Esses catadores viviam e trabalhavam no lixo, com a coleta e venda de sucata e materiais recicláveis. Ao redor do aterro se estruturou a favela do Jardim Gramacho, que tem uma economia totalmente dependente do comércio de materiais recicláveis. Os trabalhadores removem diariamente toneladas de materiais recicláveis. Assim eles prolongam a vida do aterro, eliminando materiais que teriam sido enterrados e contribuem para o ex-lixão ter uma das taxas de reciclagem mais elevadas do mundo. O aterro sanitário do Jardim Gramacho está previsto para se fechado em 2012 e grupos como a ACAMJG estão lutando para aumentar o apoio e fornecer capacitação para os catadores.
http://www.eco21.com.br/textos/textos.asp?ID=2398


Uma das características da arte de Vik Muniz é a referência a obras de outros artistas.
Dessa forma, será muito interessante, para a ampliação da percepção artística, a pesquisa em livros de arte ou sites sobre as obras que foram fontes de inspiração para Vik Muniz:


Mulher a Passar a Ferro, de Pablo Picasso (1904, óleo sobre tela) e Mulher Passando Roupa (Ísis);


     























Albanesa, de Camille Corot (1872, óleo sobre tela) e A Cigana (Magna);

                 



Madonna com Criança, de Giovanni Bellini (1510, óleo sobre tela) e Mãe e
Filhos (Suellen);




O Semeador, de Jean-François Millet (c. 1865, pastel e lápis sobre papel) e O
Semeador (Zumbi);


Van Gogh, O Semeador - 1888




















Marat Assassinado, de Jacques-Louis David (1793, óleo sobre tela) e Marat
(Sebastião).





O recurso da recriação fica mais evidente na obra Marat (Sebastião), pois estabelece
um diálogo direto com a famosa pintura de Jacques-Louis David. 

domingo, 4 de outubro de 2015

O Rapaz de Pijama às Riscas


Este texto baseia-se no livro, mas pode servir de base a uma análise do filme.

As Leis e a (Não-)Discriminação

 “O Rapaz do Pijama às Riscas”, escrito em 2006 por Joyne Boyne e adaptado ao cinema em 2009  por Mark Herman, narra o dia a dia de Bruno, um menino alemão nascido em Berlim a 15 de Abril de 1934, filho de um oficial das Forças Armadas do III Reich. Bruno, aos nove anos, mora em “Acho‐vil” (local que o Autor nos induz a pensar que seria Auschwitz) e interroga‐se sobre o que fazem as pessoas que estão do outro lado da vedação de arame que vê da janela da sua casa. 

Pergunta à irmã mais velha “porque é que puseram a vedação?” e “porque é que não podemos passar para o outro lado? Que mal é que nós fizemos para não podermos ir para aquele lado brincar?” 

A sua incompreensão perante a divisão entre “os judeus” e “os opostos” (grupo ao qual a irmã lhe explica que a sua família pertence) e ódio que os “opostos” têm aos judeus termina com a sua morte. Ao contrário do que sucede no romance  O  Príncipe e o Pobre de Mark Twain , Bruno não troca de identidade com Shmuel, o seu amigo judeu. Bruno veste o pijama de riscas que constitui o uniforme dos judeus no campo de concentração e, seguindo o conselho que lhe fora dado pela avó (“Se usares o traje certo, vais sentir‐te exatamente a pessoa que estás a fingir que és”) finge “ser uma pessoa que vive do outro lado da vedação” e acaba por ser morto, numa câmara de gás, provavelmente em consequência de uma ordem dada pelo seu pai, comandante do campo de concentração.

Para além da questão fundamental de, como relata André Frossard, o século XX ter sido o século em que os Homens mais e melhor se mataram uns aos outros, este livro (e o filme)  toca no cerne do Direito da Igualdade e da Não Discriminação: construímos continuamente ‘vedações’ em torno de grupos de pessoas: porque são mulheres, porque são negras, porque são homossexuais, porque são incultas ou estrangeiras… 

As vedações podem ser mais ou menos rendilhadas, lembrando‐nos os nossos trabalhos tradicionais em ferro forjado: quantas gotas de sangue judeu se tem de ter para se ser juridicamente considerado como Judeu? (...).

Algumas pessoas colocadas num campo protegido por várias vedações. O acesso a bens e serviços é‐lhes extraordinariamente dificultado. Mas, sobretudo, são ofendidas no essencial daquilo que o as leis devem proteger: a sua dignidade de seres humanos. É precisamente isso o que se passa hoje em dia com os refugiados.

As leis  podem contribuir para  acabar com a discriminação, se se basearem nos Direitos Humanos. Se os Estados seguirem o que está estipulado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, deixarão de existir vedações, quer dentro de cada país, quer nas suas fronteiras.

Caso contrário tudo dependerá do olhar de quem decide construir a vedação: podemos querer colocar do outro lado da vedação estrangeiros, os portadores de doença ou de deficiência, os judeus, os ciganos, os pobres … Mas também podemos fazê‐lo em relação aos obesos, aos idosos, aos míopes ou aos calvos! 

No limite, todos seremos discriminados ao longo das nossas vidas e todos sentiremos o frio e a insegurança que Bruno relata quando passa para o outro lado da vedação.  

Só com leis anti‐discriminatórias centrados no respeito pelo outro por ser uma pessoa diferente de todas as outras e a quem a sociedade deve criar condições para que possa desenvolver de forma livre e harmoniosa a sua personalidade, conseguiremos aquilo que aquilo que John Boyne propõe, no fim do livro:  

“Claro que tudo isto aconteceu há muito tempo e nada de parecido poderá voltar a acontecer. Não nos dias de hoje, não na época em que vivemos”.

http://www.fd.unl.pt/anexos/3785.pdf

   1. Comente o último parágrafo do texto tendo em conta o problema dos refugiados abordado na ficha m1.01.
    2. Elabore uma uma reflexão crítica sobre o filme (pode partir da resposta à questão 1).

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O filme baseia no livro de John Boyne com o mesmo título.













O livro existe na BECRE.







domingo, 27 de setembro de 2015

Invictus



Texto 1
Invictus

De dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que possam existir
pela minha alma indomável

Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
A minha cabeça sangra, mas continua erguida

Para lá deste lugar de lágrimas e ira,
Nada mais se vê que os horrores da sombra.
Mas mesmo assim a ameaça dos anos,
Encontra-me e encontrar-me-á, sem medo.

Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino:
Eu sou o capitão de minha alma.
William Ernest Henley
Texto 2
Introdução ao filme ‘Invictus’

“Durante o tempo em que esteve na prisão de Robben Island, Nelson Mandela encontrou no poema "Invictus", a força necessária para continuar vivo e manter acesa a chama da luta contra a desigualdade instituída pelo regime do Apartheid.
Escrito pelo poeta inglês William Ernest Henley em 1875, o poema foi o grande companheiro de Mandela na pequena cela 4 da ala B de Robben Island. Condenado a trabalhos forçados, foi na cadeia localizada numa ilha a 11 quilómetros da Cidade do Cabo, que o líder da luta contra o Apartheid passou 18 dos 27 anos que esteve preso. Mandela contou que, cada a vez que fraquejava, lia e relia o poema para aplacar o sofrimento e encontrar forças para seguir em frente.
‘Invictus’ também é o título do filme realizado por Clint Eastwood, que conta a história da conquista do título mundial de Rugby pela seleção da África do Sul durante o Campeonato Mundial realizado naquele país. Durante a competição, Mandela entrega o poema ao capitão da seleção sul-africana, para motivá-lo a ganhar a competição. O então presidente percebia que a vitória poderia unir o país, que ainda enfrentava a segregação racial.”
Texto copiado daqui









Texto 3
Comentário do filme ‘Invictus’
"O amor da democracia é o da igualdade."
Barão de Montesquieu

Vi novamente o filme "Invictus" (2009), uma história real sobre o início do governo de Nelson Mandela. Confesso que me emocionei tanto quanto da primeira vez. Este filme é baseado no livro "Conquistando o Inimigo" de John Carlin. O "inimigo" de Mandela neste caso era a poderosa minoria "branca" da África do Sul.
Ouvimos muito sobre o regime do Apartheid, mas vendo o filme, ele ganha uma nova dimensão e conseguimos parcialmente imaginar o quão desafiador o trabalho do Presidente Nelson Mandela foi, especialmente logo após ser eleito. Ele teve que encarar o desafio de implantar um regime democrático num país completamente dividido e à beira de uma guerra civil.
Através do rugby, Mandela inicia algo aparentemente impossível: estabelecer a união de uma nação tão dividida e aparentemente "diferente".
Algumas frases do Mandela ecoaram na minha alma e espero poder um dia viver como ele, sem mágoa em relação aos que o prejudicaram (esteve 27 anos preso) e principalmente sem nunca desistir dos seus sonhos e desafios.
O Apartheid (‘separação’) foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes foram cerceados pela minoria branca. A segregação racial na África do Sul teve início ainda no período colonial, mas o apartheid foi introduzido como política oficial após as eleições gerais de 1948. A nova legislação dividia os habitantes em grupos raciais ("negros", "brancos", "de cor", e "indianos").
Nessa altura, o governo segregou a saúde, a educação e os outros serviços públicos, fornecendo aos negros serviços inferiores aos dos brancos.
O apartheid trouxe violência e um significativo movimento de resistência interna, bem como um longo embargo comercial contra a África do Sul. Uma série de revoltas populares e protestos levaram à repressão violenta da oposição e à detenção de líderes anti-apartheid.
Reformas no regime durante a década de 1980 não conseguiram conter a crescente oposição, e em 1990 o presidente Frederik Willem de Klerk iniciou negociações para acabar com o Apartheid, o que culminou com a realização de eleições multirraciais e democráticas em 1994, que foram vencidas pelo Congresso Nacional Africano, sob a liderança de Nelson Mandela.
Algumas palavras de Nelson Mandela:
“O perdão liberta a alma. Ele remove o medo. Por esta razão é uma "arma" tão poderosa.”
"Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da sua pele, pela sua origem ou ainda pela sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam de aprender, e se podem aprender a odiar, também podem ser ensinadas a amar."

Texto copiado daqui

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Atividades:
(Trabalho de pares)
I – Com base nos textos desta ficha, elaborem uma reflexão crítica sobre o filme ‘Invictus’, desenvolvendo os seguintes tópicos:
  a) A importância da igualdade em democracia;
  b) a necessidade da luta contra o racismo e todas as formas de intolerância;
  c) o exemplo de Nelson Mandela;
  d) uma análise do poema ‘Invictus’;
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Como fazer?

Uma reflexão crítica é um texto em que se faz a análise de um documento, experiência ou situação, com o objetivo de retirar daí um conjunto de ensinamentos que possam enriquecer os conhecimentos do autor da reflexão e dos seus leitores. Não se trata de procurar os pontos negativos do que se pretende analisar, mas encontrar aí ideias (problemas, conceitos teses, argumentos, factos) que possam ser explorados de forma autónoma e coerente.
O autor da reflexão deve dar a sua opinião sobre os elementos sujeitos a análise, com vista a mostrar qual o seu ponto de vista sobre esses elementos, procurando questionar-se sobre os temas mais importantes para conseguir explicitar o seu pensamento sobre o objecto da sua reflexão crítica.
Assim, a reflexão crítica pode ter a seguinte estrutura:
                  1. Introdução: breve apresentação daquilo que é objeto da reflexão crítica (neste caso, o filme). Deve ficar explícito o tema central (e/ou problema central) do objeto de reflexão. E deve ser feita uma descrição breve do mesmo.
            2. Análise dos conceitos que estão presentes no objeto da reflexão. Esses conceitos devem ser definidos, se possível com recurso a dicionários, 
             3. Problematização: devem levantar-se questões sobre os conceitos e a forma como eles são apresentados.
            4. Argumentação: deve responder-se às questões tendo em conta os dados recolhidos pela análise do objeto da reflexão (o filme), bem como a opinião do autor da reflexão, fundamentada com argumentos coerentes.
             5. Conclusão: síntese final do pensamento desenvolvido nos pontos 3 e 4.

Download da Ficha 01 (em PDF)

Trabalho de grupo sobre a Arte

O que é a arte by paulofeitais on Scribd                            Teorias estéticas from Paulo Gomes Trabalho de grupo:...