sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Invictus



Texto 1
Invictus

De dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que possam existir
pela minha alma indomável

Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
A minha cabeça sangra, mas continua erguida

Para lá deste lugar de lágrimas e ira,
Nada mais se vê que os horrores da sombra.
Mas mesmo assim a ameaça dos anos,
Encontra-me e encontrar-me-á, sem medo.

Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino:
Eu sou o capitão de minha alma.
William Ernest Henley




Texto 2
Introdução ao filme ‘Invictus’

“Durante o tempo em que esteve na prisão de Robben Island, Nelson Mandela encontrou no poema "Invictus", a força necessária para continuar vivo e manter acesa a chama da luta contra a desigualdade instituída pelo regime do Apartheid.
Escrito pelo poeta inglês William Ernest Henley em 1875, o poema foi o grande companheiro de Mandela na pequena cela 4 da ala B de Robben Island. Condenado a trabalhos forçados, foi na cadeia localizada numa ilha a 11 quilómetros da Cidade do Cabo, que o líder da luta contra o Apartheid passou 18 dos 27 anos que esteve preso. Mandela contou que, cada a vez que fraquejava, lia e relia o poema para aplacar o sofrimento e encontrar forças para seguir em frente.
‘Invictus’ também é o título do filme realizado por Clint Eastwood, que conta a história da conquista do título mundial de Rugby pela seleção da África do Sul durante o Campeonato Mundial realizado naquele país. Durante a competição, Mandela entrega o poema ao capitão da seleção sul-africana, para motivá-lo a ganhar a competição. O então presidente percebia que a vitória poderia unir o país, que ainda enfrentava a segregação racial.”
Texto copiado daqui










Texto 3
Comentário do filme ‘Invictus’
"O amor da democracia é o da igualdade."
Barão de Montesquieu

Vi novamente o filme "Invictus" (2009), uma história real sobre o início do governo de Nelson Mandela. Confesso que me emocionei tanto quanto da primeira vez. Este filme é baseado no livro "Conquistando o Inimigo" de John Carlin. O "inimigo" de Mandela neste caso era a poderosa minoria "branca" da África do Sul.
Ouvimos muito sobre o regime do Apartheid, mas vendo o filme, ele ganha uma nova dimensão e conseguimos parcialmente imaginar o quão desafiador o trabalho do Presidente Nelson Mandela foi, especialmente logo após ser eleito. Ele teve que encarar o desafio de implantar um regime democrático num país completamente dividido e à beira de uma guerra civil.
Através do rugby, Mandela inicia algo aparentemente impossível: estabelecer a união de uma nação tão dividida e aparentemente "diferente".
Algumas frases do Mandela ecoaram na minha alma e espero poder um dia viver como ele, sem mágoa em relação aos que o prejudicaram (esteve 27 anos preso) e principalmente sem nunca desistir dos seus sonhos e desafios.
O Apartheid (‘separação’) foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes foram cerceados pela minoria branca. A segregação racial na África do Sul teve início ainda no período colonial, mas o apartheid foi introduzido como política oficial após as eleições gerais de 1948. A nova legislação dividia os habitantes em grupos raciais ("negros", "brancos", "de cor", e "indianos").
Nessa altura, o governo segregou a saúde, a educação e os outros serviços públicos, fornecendo aos negros serviços inferiores aos dos brancos.
O apartheid trouxe violência e um significativo movimento de resistência interna, bem como um longo embargo comercial contra a África do Sul. Uma série de revoltas populares e protestos levaram à repressão violenta da oposição e à detenção de líderes anti-apartheid.
Reformas no regime durante a década de 1980 não conseguiram conter a crescente oposição, e em 1990 o presidente Frederik Willem de Klerk iniciou negociações para acabar com o Apartheid, o que culminou com a realização de eleições multirraciais e democráticas em 1994, que foram vencidas pelo Congresso Nacional Africano, sob a liderança de Nelson Mandela.
Algumas palavras de Nelson Mandela:
“O perdão liberta a alma. Ele remove o medo. Por esta razão é uma "arma" tão poderosa.”
"Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da sua pele, pela sua origem ou ainda pela sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam de aprender, e se podem aprender a odiar, também podem ser ensinadas a amar."

Texto copiado daqui


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Trabalho de grupo
Primeira Parte:
I – Com base nos textos desta ficha, elaborem uma reflexão crítica sobre o filme ‘Invictus’, desenvolvendo os seguintes tópicos:
  a) A importância da igualdade em democracia;
  b) A necessidade da luta contra o racismo e todas as formas de intolerância;
  c) Uma análise do poema ‘Invictus’;
  d) Resposta à questão: O que é que o exemplo de Nelson Mandela nos ensina sobre a forma como nos devemos comportar enquanto seres humanos?
Data de conclusão da reflexão crítica: 19/02/21.

Segunda Parte:
Com base na reflexão crítica, elaborar uma apresentação (em PowerPoint, Google Slides, Prezi, ou noutro suporte) que servirá de base a uma exposição oral do grupo, numa aula síncrona. 
Início das apresentações orais: 24/02/21.
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Como fazer?

Uma reflexão crítica é um texto em que se faz a análise de um documento, experiência ou situação, com o objetivo de retirar daí um conjunto de ensinamentos que possam enriquecer os conhecimentos do autor da reflexão e dos seus leitores. Não se trata de procurar os pontos negativos do que se pretende analisar, mas encontrar aí ideias (problemas, conceitos teses, argumentos, factos) que possam ser explorados de forma autónoma e coerente.
O autor da reflexão deve dar a sua opinião sobre os elementos sujeitos a análise, com vista a mostrar qual o seu ponto de vista sobre esses elementos, procurando questionar-se sobre os temas mais importantes para conseguir explicitar o seu pensamento sobre o objecto da sua reflexão crítica.
Assim, a reflexão crítica pode ter a seguinte estrutura:
                1. Introdução: breve apresentação daquilo que é objeto da reflexão crítica (neste caso, o filme). Deve ficar explícito o tema central (e/ou problema central) do objeto de reflexão. E deve ser feita uma descrição breve do mesmo.
            2. Análise dos conceitos que estão presentes no objeto da reflexão. Esses conceitos devem ser definidos, se possível com recurso a dicionários, 
          3. Problematização: devem levantar-se questões sobre os conceitos e a forma como eles são apresentados.
             4. Argumentação: deve responder-se às questões tendo em conta os dados recolhidos pela análise do objeto da reflexão (o filme), bem como a opinião do autor da reflexão, fundamentada com argumentos coerentes.
              5. Conclusão: síntese final do pensamento desenvolvido nos pontos 3 e 4.

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Para explorar:


O exemplo de Nelson Mandela:


O que era o Apartheid?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021





Trabalho para as aulas assíncronas:

1 . Elaboração de um mapa conceptual que sistematize os conceitos explicitados na ficha.
2. O quadro "Rapariga com Brinco de Pérola" ,de Vermeer, pode ser considerado uma obra de arte por cada uma das teorias sistematizadas na ficha? Justifiquem a partir da explicação de cada uma das teorias.
3. Qual das três teorias sobre a arte é a melhor?. Porquê? (imitação; expressão e forma significante).


Introdução à Lógica - A Razão (Módulo 04)



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Ficha 01 
A Razão 

Texto 1 - Os vários sentidos da palavra razão

Na nossa vida quotidiana usamos a palavra razão em muitos sentidos. Dizemos, por exemplo, “eu estou com a razão”, ou “ele não tem razão”, para significar que nos sentimos seguros de alguma coisa ou que sabemos com certeza alguma coisa. Também dizemos que, num momento de fúria ou de desespero, “alguém perde a razão”, como se a razão fosse alguma coisa que se pode ter ou não ter, possuir e perder, ou recuperar, como na frase: “Agora ela está lúcida, recuperou a razão”.

Dizemos também frases como: “Se você me disser as suas razões, sou capaz de fazer o que  me pede”, querendo dizer com isso que queremos ouvir os motivos que alguém tem para querer ou fazer alguma coisa. Fazemos perguntas como: “Qual a razão disso?”, querendo saber qual a causa de alguma coisa e, nesse caso, a razão parece ser alguma propriedade que as próprias coisas teriam, já que teriam uma causa.

Assim, usamos “razão” para nos referirmos a “motivos” de alguém, e também para nos referirmos a “causas” de alguma coisa, de modo que tanto nós quanto as coisas parecemos dotados de “razão”, mas em sentido diferente.

Esses poucos exemplos já nos mostram quantos sentidos diferentes a palavra razão possui: certeza, lucidez, motivo, causa. E todos esses sentidos encontram-se presentes na Filosofia.

Por identificar razão e certeza, a Filosofia afirma que a verdade é racional; por identificar razão e lucidez (não ficar ou não estar louco), a Filosofia chama a nossa razão ‘luz’ e ‘luz natural’; por identificar razão e motivo, por considerar que sempre agimos e falamos movidos por motivos, a Filosofia afirma que somos seres racionais e que a nossa vontade é racional; por identificar razão e causa e por julgar que a realidade opera de acordo com relações causais, a Filosofia afirma que a realidade é racional.
/.../

Também  elogiamos as ciências, dizendo que elas manifestam o “progresso da razão”. Aqui, a razão é colocada como capacidade puramente intelectual para conseguir o conhecimento verdadeiro da Natureza, da sociedade, da História e isto é considerado algo bom, positivo, um “progresso”.

Por ser considerado um “progresso”, o conhecimento científico é visto como se realizando no tempo e como dotado de continuidade, de tal modo que a razão é concebida como temporal também, isto é, como capaz de aumentar os seus conteúdos e as suas capacidades através dos tempos.

Algumas vezes ouvimos um professor dizer a outro: “O João trouxe um trabalho irracional; era um caos, uma confusão. Incompreensível. Já o trabalho da Manuela era uma beleza: claro, compreensível, racional”. Aqui, a razão, ou racional, significa clareza das ideias, ordem, resultado de esforço intelectual ou da inteligência, seguindo normas e regras de pensamento e de linguagem.

Todos esses sentidos constituem a nossa ideia de razão. Nós consideramo-la a consciência moral que observa as paixões, orienta a vontade e oferece finalidades éticas para a ação. Nós vemo-la como atividade intelectual de conhecimento da realidade natural, social, psicológica, histórica. Nós concebemo-la segundo o ideal da clareza, da ordenação e do rigor e precisão dos pensamentos e das palavras.

Para muitos filósofos, porém, a razão não é apenas a capacidade moral e intelectual dos seres humanos, mas também uma propriedade ou qualidade primordial das próprias coisas, existindo na própria realidade. Para esses filósofos, a nossa razão pode conhecer a realidade (Natureza, sociedade, História) porque ela é racional em si mesma.
Fala-se, portanto, em razão objetiva (a realidade é racional em si mesma) e em razão subjetiva (a razão é uma capacidade intelectual e moral dos seres humanos). A razão objetiva é a afirmação de que o objeto do conhecimento ou a realidade é racional; a razão subjetiva é a afirmação de que o sujeito do conhecimento e da ação é racional. Para muitos filósofos, a Filosofia é o momento do encontro, do acordo e da harmonia entre as duas ‘razões’ ou racionalidades.


Texto 2 - Os princípios lógicos da razão

Desde os seus começos, a Filosofia considerou que a razão opera seguindo certos princípios que ela própria estabelece e que estão em concordância com a realidade, mesmo quando os empregamos sem os conhecer explicitamente. Ou seja, o conhecimento racional obedece a certas regras ou leis fundamentais, que respeitamos até mesmo quando não conhecemos diretamente quais são e o que são. Nós respeitamo-las porque somos seres racionais e porque são princípios que garantem que a realidade é racional e que a nossa razão funciona de forma coerente.

Esses princípios são:
O Princípio da identidade, cujo enunciado pode parecer surpreendente: “A é A” ou “Qualquer objecto é igual a si próprio”. O princípio da identidade é a condição do pensamento e sem ele não podemos pensar. Ele afirma que uma coisa, seja ela qual for (um ser da Natureza, uma figura geométrica, um ser humano, uma obra de arte, uma ação), só pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com a sua identidade.

Por exemplo, depois que um matemático definir o triângulo como figura de três lados e de três ângulos, não só nenhuma outra figura que não tenha esse número de lados e de ângulos poderá ser chamada de triângulo como também todos os teoremas e problemas que o matemático demonstrar sobre o triângulo, só poderão ser demonstrados se, a cada vez que ele disser “triângulo”, soubermos a qual ser ou a qual coisa ele se está a referir. O princípio da identidade é a condição para que definamos os conceitos que representam as coisas e possamos conhecê-las a partir das suas definições.

O Princípio da não-contradição, cujo enunciado é: “A é A e é impossível que seja, ao mesmo tempo e na mesma relação, não-A”; "um objeto não pode ser e não ser ao mesmo tempo e segundo uma mesma perspectiva; uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo e segundo uma mesma perspectiva".

Assim, é impossível que a árvore que está diante de mim seja e não seja uma figueira; que o cão da Filomena seja e não seja branco; que o triângulo tenha e não tenha três lados e três ângulos; que o homem seja e não seja mortal; que o vermelho seja e não seja vermelho, etc.

Sem o princípio da não-contradição, o princípio da identidade não poderia funcionar. O princípio da não-contradição afirma que uma coisa ou uma ideia que se negam a si mesmas se autodestroem, desaparecem, deixam de existir. Afirma, também, que as coisas e as ideias contraditórias são impensáveis e impossíveis.


O Princípio do terceiro-excluído, cujo enunciado é: “Ou A é x ou é y e não há terceira possibilidade”; "uma coisa é ou não é, não há uma terceira alternativa"; " uma proposição é verdadeira ou falsa, não há uma terceira possibilidade". Por exemplo: “Ou este homem é Sócrates ou não é Sócrates”; “Ou faremos a guerra ou faremos a paz”. Este princípio define a decisão de um dilema - “ou isto ou aquilo” - e exige que apenas uma das alternativas seja verdadeira.

O Princípio da razão suficiente, que afirma que tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razão (causa ou motivo) para existir ou para acontecer, e que tal razão (causa ou motivo) pode ser conhecida pela nossa razão. O princípio da razão suficiente costuma ser chamado ‘princípio da causalidade’ para indicar que a razão afirma a existência de relações ou conexões internas entre as coisas, entre factos, ou entre ações e acontecimentos. Pode ser enunciado da seguinte maneira: “Dado A, necessariamente se dará B”. E também: “Dado B, necessariamente houve A”.

Isso não significa que a razão não admita o acaso ou ações e factos acidentais, mas sim que ela procura, mesmo para o acaso e para o acidente, uma causa.

Pelo que foi exposto, podemos observar que os princípios da razão apresentam algumas características importantes:

- não possuem um conteúdo determinado, pois são formais: indicam como as coisas devem ser e como devemos pensar, mas não nos dizem quais coisas são, nem quais os conteúdos que devemos ou vamos pensar;

- possuem uma vigência universal, isto é, onde houver razão (nos seres humanos e nas coisas, nos factos e nos acontecimentos), em todo o tempo e em todo lugar, tais princípios são verdadeiros e são aplicados por todos (os humanos/os seres racionais) e obedecidos por todos (coisas, factos, acontecimentos);

- são necessários, isto é, indispensáveis para o pensamento e para a vontade, indispensáveis para as coisas, os factos e os acontecimentos. Indicam que algo é assim e não pode ser de outra maneira. Necessário significa: é impossível que não seja dessa maneira e que pudesse ser de outra.
Marilena Chaui
http://cristianofilosofia.no.comunidades.net/index.php?pagina=1388944761 
(Consulta: 24/09/2013)

Atividades:

- Elabore um mapa conceptual que incorpore os conceitos explorados nos textos desta ficha.




quarta-feira, 6 de janeiro de 2021








As emoções:



Sentimentos:




Psicologia das cores:





Projecto 'Somos em Rede' (2GI)







Esta sequência pedagógica está a ser adaptada para servir de base à exploração do tema/problema  9.2. 'A formação da sensibilidade cultural e a transfiguração da experiência: a estética' , da disciplina de Área de Integração.

Quando essa adaptação estiver concluída será publicada no blog:









sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Particle Fever





O documentário "Particle Fever" traz à vida o bosão de Higgs
O documentário é o relato fascinante e bem informado sobre a maior experiência científica do planeta, mas é também um drama real sobre a compreensão do universo.


Um novo documentário, "Particle Fever", consegue o quase impossível: torna compreensível – e empolgante – o funcionamento do acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider), até mesmo para os espectadores com a maior aversão à ciência. Mark Levinson, o realizador do filme, visitou o CERN, o centro de pesquisa na fronteira entre a França e a Suíça que abriga o LHC, pela primeira vez em 2007, e voltou diversas vezes até julho de 2012, quando a equipa de físicos de elite concluiu as suas duas décadas de buscas para encontrar o bosão de Higgs.
"Particle Fever" acompanha meia dúzia de personagens – entre os mais de 10 mil cientistas, de mais de 100 países – que trabalham na maior e mais cara experiência científica do planeta. O filme mostra-os teorizando, discutindo, jogando ténis de mesa.

Observer - Você disse que não acha que "Particle Fever" seja um documentário científico. O que é o filme, então?

Mark Levinson - Creio que seja sobre a busca do homem pela compreensão do universo. Eu queria fazer um filme atraente para pessoas que podem pensar que nem estão interessadas em ciência, mas que conseguem envolver-se nessa busca humana absolutamente maravilhosa. Pode ser difícil justificar o LHC em termos de despesa –mas, ainda que ele talvez não seja necessário para a nossa sobrevivência, é algo que está ligado ao que nos torna humanos e importantes.

Observer - Quando você começou a filmar, imaginava que os cientistas do CERN encontrariam a partícula de Higgs?

Não. Eu definitivamente acreditava que a partícula de Higgs, ou algo parecido, existia.
Mas que eles a encontrassem quando estávamos a filmar? Nunca imaginei. Quase todos os físicos haviam dito que encontrar o bosão de Higgs seria tão difícil que provavelmente seria necessário recolher dados durante anos. Na verdade, todos achavam que, se encontrassem alguma coisa, provavelmente seria uma nova partícula, mas não a de Higgs.

Observer - A Física parece envolver muito tempo de contemplação de números numa
tela de computador. Como tornar essa situação dramática?

Mark Levinson - Por sorte havia muito drama natural. Não tivemos de inventá-lo, só de reconhecê-lo e captá-lo à medida que  se desenrolava. 

Observer - Você está a referir-se a 2008, quando o LHC foi fechado por mais de um ano devido a um problema com os ímanes?

Mark Levinson - O acidente aconteceu cerca de 10 dias depois de ter começado a filmar. A minha reação imediata foi pensar que seria o fim do meu filme. Mas percebi que era provável que o acelerador viesse a ser reativado, e que o acontecido servisse  para conferir dramatismo ao filme. Havia muita pressão por causa do acidente, e por isso a reativação do LHC foi ainda mais tensa, bem como o resultado, que nos deixou em suspenso sobre o que iria acontecer a seguir.

Observer - No cerne do filme está o estranho elo entre a física teórica e a física experimental. Você pode explicar-nos o que está em causa nessa distinção?

Mark Levinson - O estereótipo dominante é o do físico teórico solitário, trabalhando sozinho numa sala, como Einstein, e ocasionalmente caminhando até ao quadro negro. Eles são a elite, em certo sentido, muito matemáticos e abstratos. Mas precisam de pessoas que concebam experiências com base nas suas teorias e lhes forneçam dados que os apontem na direção correta. O conflito muitas vezes surge devido às escalas de tempo distintas entre os dois ramos. Um físico teórico pode acordar de manhã e de repente apagar uma equação, reescrevendo-a em seguida. Já o físico experimental, enquanto isso, passou 10 anos a construir uma máquina para provar aquela teoria.
Tim Lewis, Observer.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/04/1441238-filme-particle-fever-traz-a-vida-o-boson-de-higgs.shtml


O Conhecimento Científico


Os Gregos, na antiguidade, buscavam através do uso da razão, a superação do mito ou do saber comum. O avanço na produção do conhecimento, conseguido por esses pensadores, foi estabelecer a ciência como pensamento sistematizado (filosofia, física, matemática...), o que perdurou até ao início da Idade Moderna. A partir daí, as relações dos homens tornaram-se mais complexas bem como toda a forma de garantir a sua sobrevivência. 
Gradativamente, houve um avanço técnico e científico, como a utilização da pólvora, a invenção da imprensa, a Astronomia de Galileu, a Física de Newton, etc.
Foi no início do século XVII, quando o mundo europeu passava por profundas transformações, que o homem se tornou no centro da natureza (antropocentrismo). Acompanhando o movimento histórico, ele mudou toda a estrutura do pensamento e rompeu com as concepções de Aristóteles, ainda vigentes e defendidas pela Igreja, segundo as quais tudo era hierarquizado e imóvel, desde as instituições políticas até ao planeta Terra. 
O homem passou, então, a ver a natureza como objeto da sua ação e do seu conhecimento, podendo interferir nela. Portanto, podia formular hipóteses e experimentá-las para verificar a sua veracidade, superando assim as explicações metafísicas e teológicas que até então predominavam. O mundo imóvel foi substituído por um universo aberto e infinito, ligado a uma unidade de leis. Era o nascimento da ciência enquanto um objecto específico de investigação, com um método próprio para o controlo da produção do conhecimento. Assim sendo, ciência e filosofia separam-se. 
O conhecimento científico transformou-se numa prática constante, procurando afastar crenças supersticiosas e a ignorância, através de métodos rigorosos, para produzir um conhecimento sistemático, preciso (rigoroso) e objetivo que consiga prever os acontecimentos e agir de forma mais segura. 
Sendo assim, o que diferencia o senso comum do conhecimento científico é o rigor. Enquanto o senso comum é acrítico, fragmentado, preso a preconceitos e a tradições conservadoras, a ciência preocupa-se com as pesquisas sistemáticas que produzam teorias que revelem a verdade sobre a realidade, uma vez que a ciência produz o conhecimento a partir da razão aliada à experiência.
Desta forma, o cientista, para realizar uma pesquisa e torná-la científica, deve seguir determinados passos. Em primeiro lugar, o pesquisador deve estar motivado a resolver uma determinada situação-problema. Normalmente a colocação de um problema é seguida pela formulação de algumas hipóteses. 
Usando a sua criatividade, o pesquisador deve observar os factos, colher dados e, então, testar as suas hipóteses, que poderão transformar-se em teorias e, posteriormente, ser incorporadas nas leis que possam explicar e prever os fenómenos. 
Porém, é fundamental registar que a ciência não é somente acumulação de verdades prontas e acabadas, mas devemos vê-la como um campo sempre aberto às novas concepções e contestações sem perder de vista os dados, o rigor e a coerência e aceitando que o que prova que uma teoria é científica é o facto de ela ser falível e aceitar ser refutada. 
O termo ciência vem do latim, scientia, de sciens, conhecimento, sabedoria. É um corpo de doutrina, organizado metodicamente que constitui uma área do saber e é relativo a determinado objecto. 
O que caracteriza cada ciência é o seu objecto formal, ou seja, aquilo que é estudado, porém, o desdobramento dos objetos do saber científico caminhou progressivamente para a especialização das ciências (que marcou bastante o século XIX com o advento da técnica e da industrialização). 
http://www.geocities.com/joaojosefonseca/esquerdo.htm?200615(15/08/2006)


Quem é Higgs:

O que é o Bosão de Higgs:

Mais experiências sobre o Bosão:
https://www.publico.pt/2018/08/28/ciencia/noticia/bosao-de-higgs-visto-finalmente-a-desintegrarse-1842316


6 Tópicos sobre a Filosofia da Ciência:
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/seis-topicos-fundamentais-sobre-filosofia-ciencia.htm

FICHA (Download)
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Actividades:
(Trabalho de grupo)
1. Levantamento de questões profundas e pertinentes sobre o documentário.(Num mínimo de 10).

2. Elaboração de um mapa mental (conceptual) exploratório do documentário (que deve articular as questões levantadas no ponto 1).

3. Elaboração de uma reflexão crítica sobre o documentário. 
3.1. Na reflexão crítica o grupo deverá responder, também, às questões:
                A. O que é que distingue o conhecimento científico e o conhecimento vulgar (senso comum)? Devem ser explorados dados constantes do documentário.
                   B. O que é que caracteriza a ciência?
                   C. O que é e como funciona o método experimental?

Duração: 3 aulas.

Instrumentos de trabalho:
Como construir mapas conceptuais
O que são mapas mentais?
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Avaliação:
1. 10%.
2. 30%
3. 60% (Destes: 3.1.A. 10%; 10.B. 10%; 3.1C. 20%).

Competências a avaliar:

Conceptualização - 15%;
Problematização - 30 %;
Argumentação - 40 %;
Comunicação - 15%.

Trabalho de grupo sobre a Arte

O que é a arte by paulofeitais on Scribd                            Teorias estéticas from Paulo Gomes Trabalho de grupo:...